「自動詞」VS「他動詞」

Uma postagem muito útil, pois esse assunto às vezes confunde a cabeça das pessoas. Não acho que deveria, pois não é difícil, mas acontece, então vim dar minha contribuição a essa questão. Estou falando dos 自動詞 (じどうし) e 他動詞 (たどうし).

Colocando da maneira mais precisa e inequívoca que há, 自動詞 são verbos intransitivos e 他動詞 são verbos transitivos. Porém, como conheço a educação brasileira e o nível de interesse dos alunos nas aulas de português (eu sempre gostei muito), entendo que a explicação assim não ajude muito. Pois bem, vamos do começo.

Vou começar com o português, depois vamos para o japonês. Vejamos as frases abaixo:

Tanaka-san abriu a porta.
Tanaka-san fechou a janela.
Tanaka-san levantou a cadeira.
Tanaka-san derrubou o lápis.
Tanaka-san ferveu a água.
Tanaka-san apagou a luz.
Tanaka-san terminou a tarefa.
Tanaka-san começou a apresentação.

Os exemplos são bem simples para facilitar o entendimento. Vejamos quais são os verbos de cada uma dessas frases (pelo menos isso você precisa saber, né): abriu, fechou, levantou, derrubou, ferveu, apagou, terminou, começou.

Pensemos na pessoa que faz essas ações todas: nessa caso, Tanaka-san. Esse é o sujeito, é quem faz a ação. Em todos os verbos, Tanaka-san é quem despende energia para realizar as ações. Porém, as ações recaem, incorrem sobre algo. Tanaka-san abre, mas abre ALGO: a porta; fecha ALGO: a janela; levanta ALGO: a cadeira… Veja que as ações começam no Tanaka-san, partem dele, mas elas têm um objetivo, um alvo. Nos exemplos acima, são a porta, a janela, a cadeira, o lápis, a água, a luz, a tarefa, a apresentação. A isso chamamos objeto. Até aqui tudo certo?

Bom, existem frases em que alguém realiza uma ação, e essa ação recai sobre algo ou alguém, ou seja, usando os termos de antes, um sujeito realiza uma ação sobre um objeto (eu poderia incluir os nomes desses termos todos em japonês, sujeito, verbo, objeto, etc., mas não acho que seja necessário, né). O resumo desse tipo de frase está no esquema abaixo:

SUJEITO > VERBO > OBJETO
(às vezes abreviado como SVO)

Pense que a energia que o sujeito gasta para realizar a ação passa para o objeto, ela transita do sujeito para o objeto, logo temos um verbo transitivo (parece óbvio quando falamos assim).

No entanto, existem frases em que a ação do sujeito não incorre em nada, não recai sobre outra coisa. Ela fica no próprio sujeito, ela nem sai do seu corpo. Logo, não existe objeto. Veja as frases abaixo, dessa vez com a Satou-san:

Satou-san acordou.
Satou-san trabalhou.
Satou-san correu.
Satou-san suou.
Satou-san descansou.
Satou-san voltou.
Satou-san deitou.
Satou-san dormiu.

Vejamos, quais são os verbos: acordou, trabalhou, correu, suou, descansou, voltou, deitou, dormiu. Quem realiza essas ações, ou seja, quem é o sujeito? Satou-san. Veja que as ações todas não recaem sobre nada nem ninguém. Satou-san não corre ALGO, nem dorme ALGO. Ela simplesmente corre, dorme. A energia que Satou-san despende para realizar essas atividades não transita dela para outra coisa, logo os verbos são todos intransitivos. As ações todas têm por fim ela mesma, não outra coisa ou pessoa.

Até aqui, acho que estamos indo sem problemas. Pois bem, vejamos a frase abaixo.

(1) Eu derrubei o lápis.
(2) O lápis caiu.

Na primeira frase, temos claramente alguém que faz a ação (Eu) e o objeto alvo da ação (o lápis). Logo o verbo (derrubei) é transitivo. Na frase de baixo, o sujeito da ação (O lápis) não realiza a ação sobre nada nem ninguém. Ele não cai ALGO. Ele simplesmente cai. Logo o verbo (caiu) é intransitivo. Ótimo.

Porém, pense agora que colocamos alguém para realizar a ação de derrubar o lápis e filmamos. Imagine uma mesa, uma pessoa sentada junto a ela, o lápis próximo à beirada da mesa. Com essa cena começa a filmagem. A pessoa mexe o braço sem atenção, esbarra no lápis e ele rola um pouco até cair. A pessoa derrubou o lápis. É uma representação em vídeo da frase 1 acima.

Porém, se nós depois editarmos o vídeo e cortarmos a parte em que a pessoa esbarra no lápis, ficamos apenas com a imagem do lápis rolando e caindo. Poderíamos dizer que o filme é uma representação da frase 2 acima. Ou seja, em essência, os verbos derrubar e cair não são muito diferentes. A diferença está no papel do sujeito e do objeto e no ponto de vista. Sob o ponto de vista da pessoa, dizemos que ela derrubou o lápis; sob o ponto de vista do lápis, dizemos que ele caiu.

Tente fazer o seguinte: pegue uma frase com um verbo transitivo e um objeto. Olhe para o objeto e pense: o que esse “objeto” está fazendo? Provavelmente você chegue no verbo intransitivo equivalente.

Ficou confuso? Vamos ao exemplo do lápis novamente. Tomemos a frase com o verbo transitivo: Eu derrubei o lápis. Agora olhemos para o objeto: o lápis. Pergunte: se eu derrubei o lápis, o que é que ele está fazendo? Ora, está caindo. Logo, temos essa equivalência de derrubar-cair como um par transitivo-intransitivo.

Podemos fazer isso com outros exemplos e encontrar outros pares de verbos transitivos e intransitivos. Peguemos o exemplo lá de cima, do Tanaka-san.

Tanaka-san abriu a porta.

Esse “abriu” é transitivo, certo? Porque a energia do Tanaka-san transita para a porta, a ação recai sobre a porta, ela tem um alvo. Agora perguntemos: o que a porta fez? Bem, a porta abriu.

Epa, e agora? Se em “Tanaka-san abriu a porta” o abriu é transitivo, e em “A porta abriu” o abriu é intransitivo, então o par transitivo-intransitivo é abrir-abrir? Exato. Em português, a maioria dos verbos ocupa os dois papéis. Você simplesmente muda a frase mas o verbo pode ser usado tanto como transitivo quanto como intransitivo. O mesmo vale para fechar. Você pode fechar ALGO (uma porta, uma janela, um livro), ou seja, fazer a energia transitar do sujeito até o objeto, ou algo pode fechar, como uma porta pode fechar sozinha, ou um programa do Windows 10 (esse mal necessário) pode simplesmente fechar, sozinho. Ou seja, fechar pode ser usado tanto como transitivo quanto como intransitivo.

Justamente por isso, nós brasileiros não ligamos muito para isso de transitivo e intransitivo. Os verbos são quase sempre os mesmos, então esse caráter não fica muito consciente na nossa cabeça (o par cair-derrubar é um achado raro). Daí, quando olhamos que o verbo “abrir” em japonês pode ser あく ou あける, já arregalamos os olhos sem entender (algo como isso: O.o).

A verdade é que, em japonês, os pares de verbos intransitivos e transitivos são quase sempre diferentes, ou seja, o contrário do português. Quase sempre a versão transitiva do verbo será diferente da versão intransitiva. No caso de abrir, あく é a versão intransitiva (自動詞), e あける é a versão transitiva (他動詞). Não são simplesmente duas formas de dizer “abrir” que vão confundir nossa cabeça; cada um tem um significado próprio. A culpa é nossa de querer usar a mesma palavra para os dois.

Vamos a alguns exemplos em japonês agora. Começando com あく/あける.

[わたしは]ドアを あける。
Eu abro a porta.

ドアが あく。
A porta abre.

No primeiro caso, temos um “abrir” transitivo, ou seja, a ação de abrir incorre sobre algo, no caso, a porta. A energia transita do sujeito (eu) para o objeto (porta). Logo, o verbo é あける (transitivo, 他動詞). No segundo exemplo, temos um “abrir” intransitivo, ou seja, a ação de abrir não incorre sobre ninguém, ela acontece no próprio sujeito (ドア), a energia não transita para outra coisa. Logo, o verbo é あく (intransitivo, 自動詞).

Outros pares de verbos 自動詞 (abreviado como 自) e 他動詞 (abreviado como 他):

(自)きえる (apagar)→ ろうそくが きえた (A vela apagou)
(他)けす(apagar) → ろうそくを けした (Apaguei a vela)

(自)しまる(fechar)→ ドアが しまった(A porta fechou)
(他)しめる(fechar)→ ドアを しめた(Fechei a porta)

(自)うごく(mover)→ くるまが うごいた(O carro se moveu)
(他)うごかす(mover)→ くるまを うごかした(Eu movi o carro)

(自)おきる(acordar)→ ははが おきた(Mamãe acordou)
(他)おこす(acordar)→ ははを おこした(Acordei mamãe)

(自)わく(ferver)→ みずが わいた(A água ferveu)
(他)わかす(ferver)→ みずを わかした(Fervi a água)

Apesar de, em japonês, os pares de verbos 自動詞/他動詞 serem diferentes, eles em geral tem o começo parecido. O 漢字 para todos é sempre o mesmo. Pode-se entender como palavras irmãs, derivadas uma da outra (essa coisa do par cair-derrubar, por exemplo, ter os verbos completamente diferentes um do outro é coisa do português, mas não ocorre no japonês).

Algumas observações MUITO IMPORTANTES ainda devem ser colocadas:

  • A partícula que marca o objeto é を. Logo, não usamos を com verbos intransitivos (自動詞), pois eles não têm objeto.
  • A partícula que marca o sujeito é が. Porém, quando o sujeito também é tópico da frase (sei que esse assunto é confuso, vou fazer uma postagem sobre isso ainda), ele é marcado com は, e não existe a combinação がは, porque o は toma o lugar do が completamente… mas ele ainda tá lá, em teoria. O mesmo acontece com も, ele toma o lugar do が.
  • Não é necessário sempre dizer qual é o sujeito da frase. Muitas vezes ele é implícito (como nos exemplos finais acima). Isso não quer dizer que ele não exista. Ele apenas não foi escrito (possivelmente porque é muito óbvio ou porque já foi dito antes).
  • Existe um padrão de terminações para pares 自動詞/他動詞, como ARU/ERU ou U/ERU, mas não creio que seja útil decorar isso. Essa compreensão vai se tornando orgânica e espontânea com o tempo, é bem mais eficiente assim.
  • Existem verbos que se comportam ao mesmo tempo tanto como 自動詞 quanto como 他動詞 (ou seja, como a maioria dos verbos em português). No momento só consigo pensar em おわる (acabar terminar). Você pode dizer algo como しゅくだいを おわる (acabar o dever de casa) ou かいぎが おわった (a reunião acabou), ambos com o mesmo verbo.
  • Alguns verbos transitivos não possuem um par intransitivo, e o mesmo pode ocorrer ao contrário. Por exemplo, よむ (ler) é transitivo (他動詞), mas não tem um equivalente intransitivo (自動詞). Não faz nem sentido ter: quando você lê um livro, o que o livro está fazendo? (se você respondeu “está sendo lido, saiba que isso é voz passiva, outra coisa diferente… ok, vou fazer uma postagem sobre isso também).
  • O 漢字 inicial da palavra 自動詞 é 自 e significa “si próprio”, ou seja, ações que recaem sobre a própria pessoa que a fez. Já 他動詞 tem 他, que significa “outro, o outro”, ou seja, a ação incorre sobre outra pessoa. É comum em dicionários os verbos virem com 自 ou 他, como uma abreviação para 自動詞 e 他動詞.

Se você não entendeu o que é a imagem dessa postagem, lá de cima, saiba que ela tem tudo a ver com o assunto. Nela temos um さる (macaco) com o seu envelope de としだま (também chamado おとしだま, um dinheirinho que as crianças em geral ganham dos pais no início do ano). Porém, o dinheiro do envelope está caindo. Mas estão mesmo caindo (おちる), ou o さる derrubou (おとす)?

Se ainda ficou alguma dúvida, pergunte nos comentários, Ficarei feliz em ajudar. Se for algo pontual, resolvo nos comentários mesmo. Se for algo mais grave que eu tenha esquecido, atualizo a postagem. Espero que tenha de alguma forma ajudado nesse assunto!

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